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Cientistas brasileiros descobrem que áreas úmidas do Cerrado podem armazenar até 1.200 toneladas de carbono por hectare, cerca de seis vezes mais do que a biomassa média da Amazônia, revelando um dos maiores reservatórios de carbono ocultos do planeta

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 15/03/2026 às 16:43
Cientistas brasileiros descobrem que áreas úmidas do Cerrado podem armazenar até 1.200 toneladas de carbono por hectare, cerca de seis vezes mais do que a biomassa média da Amazônia, revelando um dos maiores reservatórios de carbono ocultos do planeta
Cientistas brasileiros descobrem que áreas úmidas do Cerrado podem armazenar até 1.200 toneladas de carbono por hectare, cerca de seis vezes mais do que a biomassa média da Amazônia, revelando um dos maiores reservatórios de carbono ocultos do planeta
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Pesquisadores brasileiros descobriram que áreas úmidas do Cerrado podem armazenar até 1.200 toneladas de carbono por hectare, superando em várias vezes a biomassa média da Amazônia.

Uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros revelou um dado surpreendente sobre o potencial climático do Cerrado: áreas úmidas do bioma podem armazenar quantidades de carbono muito maiores do que a maioria das florestas tropicais. O estudo mostra que determinados ambientes alagados do Cerrado conseguem estocar até 1.200 toneladas de carbono por hectare, um valor que pode chegar a ser cerca de seis vezes superior ao carbono presente na biomassa média da floresta amazônica. A descoberta foi realizada por pesquisadores ligados à Universidade Estadual de Campinas, com participação de cientistas brasileiros especializados em ecologia, biogeoquímica e mudanças climáticas. Os resultados foram publicados na revista científica New Phytologist, uma das publicações internacionais mais respeitadas na área de ecologia vegetal.

Os cientistas analisaram diferentes regiões do Cerrado, o segundo maior bioma da América do Sul. Embora o Cerrado seja frequentemente lembrado como uma savana com vegetação mais aberta, o estudo mostra que algumas de suas áreas úmidas escondem enormes reservas subterrâneas de carbono acumuladas ao longo de milhares de anos.

Veredas e campos úmidos do Cerrado funcionam como cofres naturais de carbono

Os ambientes analisados pelos pesquisadores incluem veredas, campos úmidos e áreas de solos saturados, ecossistemas característicos do Cerrado que permanecem encharcados durante grande parte do ano. Esses locais possuem solos ricos em matéria orgânica acumulada ao longo do tempo.

Ao contrário do que ocorre em solos secos, a decomposição nesses ambientes é extremamente lenta. Isso acontece porque a saturação de água reduz drasticamente a quantidade de oxigênio disponível no solo. Sem oxigênio suficiente, os microrganismos responsáveis por decompor matéria orgânica trabalham de forma muito mais lenta.

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Como resultado, folhas, raízes e restos de vegetação vão se acumulando no solo durante séculos ou até milênios. Esse processo transforma essas áreas em verdadeiros reservatórios naturais de carbono, onde a matéria orgânica permanece preservada por períodos extremamente longos.

Segundo os pesquisadores, algumas dessas camadas orgânicas acumuladas podem ter entre 11 mil e 20 mil anos, indicando que o carbono armazenado nesses solos começou a se acumular ainda no final da última era glacial.

Carbono no solo pode superar o carbono das florestas

Grande parte das discussões sobre carbono na natureza costuma focar na vegetação visível, como árvores e florestas. No entanto, o estudo mostra que uma quantidade enorme de carbono pode estar escondida no solo, muitas vezes em volumes maiores do que aqueles presentes na biomassa acima da superfície.

Nas áreas úmidas analisadas no Cerrado, os cientistas identificaram depósitos orgânicos profundos que funcionam como verdadeiros “bancos de carbono”. Em alguns locais, a concentração chegou ao valor impressionante de 1.200 toneladas de carbono por hectare.

Para efeito de comparação, a biomassa média de muitas áreas da Amazon Rainforest costuma armazenar cerca de 150 a 200 toneladas de carbono por hectare na vegetação viva, dependendo da região e da densidade da floresta.

Isso significa que determinadas áreas úmidas do Cerrado podem conter várias vezes mais carbono do que grandes extensões de floresta tropical, embora esse carbono esteja principalmente enterrado no solo.

O papel do Cerrado no equilíbrio climático global

O Cerrado é frequentemente chamado de “berço das águas do Brasil”, pois abriga nascentes de alguns dos principais rios da América do Sul. No entanto, o estudo mostra que o bioma também pode desempenhar um papel fundamental no equilíbrio do carbono global.

Reservatórios naturais de carbono como esses ajudam a retirar dióxido de carbono da atmosfera e armazená-lo por longos períodos no solo. Esse processo é conhecido como sequestro de carbono, um dos mecanismos naturais mais importantes para reduzir o impacto das emissões de gases de efeito estufa.

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Se esses solos permanecerem intactos, o carbono pode continuar armazenado por milhares de anos. Entretanto, se forem degradados ou drenados, o carbono acumulado pode ser liberado novamente para a atmosfera na forma de dióxido de carbono ou metano.

Por essa razão, os cientistas alertam que a conservação dessas áreas úmidas é essencial para manter esse gigantesco estoque de carbono protegido.

A ameaça da degradação das áreas úmidas do Cerrado

Apesar de sua importância ecológica, muitas áreas úmidas do Cerrado vêm sendo degradadas nas últimas décadas. A expansão agrícola, o drenagem de solos para plantio e a conversão de paisagens naturais em áreas de produção têm impactado diretamente esses ecossistemas.

Quando o solo é drenado ou revolvido, o oxigênio passa a circular livremente nas camadas orgânicas profundas. Isso acelera a decomposição da matéria orgânica e libera rapidamente o carbono acumulado ao longo de milhares de anos.

Esse processo transforma o que antes era um reservatório natural de carbono em uma fonte de emissões para a atmosfera. Os pesquisadores alertam que, se essas áreas forem destruídas ou alteradas, gigantescas quantidades de carbono podem ser liberadas, contribuindo para o aumento das concentrações de gases de efeito estufa.

O Cerrado ainda é um bioma pouco compreendido

Embora seja um dos biomas mais importantes da América do Sul, o Cerrado ainda é menos estudado do que a Amazônia. Muitas de suas funções ecológicas continuam sendo descobertas apenas recentemente.

A nova pesquisa demonstra que o Cerrado não deve ser visto apenas como uma savana aberta, mas como um sistema extremamente complexo que inclui diversos tipos de ecossistemas interligados. Entre esses ambientes estão:

  • veredas com buritis
  • campos úmidos
  • matas de galeria
  • áreas de cerrado sensu stricto
  • regiões de transição com florestas

Cada um desses ecossistemas desempenha papéis diferentes no ciclo da água, na biodiversidade e no armazenamento de carbono. A descoberta de estoques gigantes de carbono em áreas úmidas reforça ainda mais a importância científica e ambiental do bioma.

O que a descoberta significa para o futuro da pesquisa climática

Os resultados do estudo podem ter implicações importantes para a forma como cientistas calculam os estoques globais de carbono. Até recentemente, muitos modelos climáticos concentravam a maior parte do carbono tropical nas florestas.

No entanto, o trabalho dos pesquisadores brasileiros mostra que solos orgânicos de áreas úmidas também podem armazenar volumes gigantescos de carbono, muitas vezes invisíveis em análises baseadas apenas na vegetação.

Isso significa que regiões consideradas secundárias em termos de biomassa podem desempenhar papéis fundamentais na regulação do clima do planeta. A descoberta também reforça a necessidade de incluir o Cerrado com maior destaque nas estratégias globais de conservação climática.

Um dos maiores cofres de carbono escondidos do planeta

O estudo revela que, sob os solos alagados do Cerrado, existe um sistema natural de armazenamento de carbono que levou milhares de anos para se formar. Esse carbono acumulado funciona como um gigantesco arquivo ecológico do passado da vegetação e do clima da região. Ao mesmo tempo, ele representa um recurso fundamental para a estabilidade climática do planeta.

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Se preservadas, essas áreas continuarão funcionando como um cofre natural de carbono, ajudando a manter parte do dióxido de carbono fora da atmosfera.

A descoberta feita por cientistas brasileiros mostra que o Cerrado pode desempenhar um papel ainda mais importante do que se imaginava no combate às mudanças climáticas — e que alguns dos maiores reservatórios de carbono do planeta podem estar escondidos não em florestas densas, mas em solos silenciosos e encharcados do coração do Brasil.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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