Localizado na única saída marítima do Iraque, o Porto de Al-Faw pode se tornar um dos maiores centros logísticos do planeta. O projeto prevê 99 milhões de toneladas de carga por ano, conexão direta com a Turquia por terra, e desafia a hegemonia do Canal de Suez. Primeira fase deve ser concluída em 2025.
À primeira vista, a Península de Al-Faw, no sudeste do Iraque, parece apenas um pedaço estreito de terra banhado pelo Golfo Pérsico. Mas por trás da paisagem discreta, está surgindo uma das maiores apostas de infraestrutura do século: o Grande Porto de Al-Faw.
Com investimento total de US$ 17 bilhões, o projeto quer reposicionar o Iraque no mapa econômico mundial e oferecer uma nova rota comercial entre a Ásia e a Europa. A primeira fase das obras está prestes a ser entregue, e os impactos prometem ser profundos, para o país e para o comércio global.
O maior porto de águas profundas do Oriente Médio

O plano do Iraque é ambicioso. Quando estiver completo, o Porto de Al-Faw terá capacidade para movimentar até 99 milhões de toneladas de carga por ano, com terminais capazes de receber navios de última geração. Só o cais principal terá 1,7 km de extensão e está sendo erguido com estacas de 50 metros cravadas no leito marinho.
-
A simple technique of wetting the brick before laying it prevents cracks, improves the adhesion of the mortar, reduces fissures, and ensures stronger walls and more durable constructions.
-
The government opens the vault and deposits R$ 2.6 billion for the construction of Brazil’s first underwater tunnel, with a length of 1.5 km, 870 m under the sea, a total project cost of R$ 6.8 billion, and a 30-year concession.
-
Only 46 meters remain for Brazil and Paraguay to connect via the Bioceanic Route bridge, the project that will link the Atlantic to the Pacific by land and change the logistical map of four countries in South America.
-
The bridge that holds the largest stone railway arch in the world: built over 100 years ago, destroyed in the war, and rebuilt to continue operating to this day, it still carries trains over the Soča River in Slovenia.
Essas estacas, só para comparação, têm quase a altura da Estátua da Liberdade. Elas garantem sustentação para navios gigantes, como os New Panamax, que transportam até 15 mil contêineres. A dragagem para atingir 17 metros de profundidade exigirá a remoção de 142 milhões de metros cúbicos de sedimentos, o equivalente a 57 pirâmides de Gizé.
O quebra-mar mais longo do planeta
Outro marco do projeto é o quebra-mar de 14,5 km, já reconhecido pelo Guinness como o mais longo do mundo. Ele foi construído sem acesso a pedreiras na região, então os engenheiros usaram uma solução criativa: colchões de concreto moldados em tecido, uma técnica que reduziu drasticamente o uso de pedras e otimizou a logística.
Ao todo, foram mais de 100 mil unidades de reforço instaladas ao longo de cinco anos. Essa estrutura é vital para proteger o porto das correntes do delta do rio Shatt Al-Arab e das frequentes tempestades de areia que varrem a região.
Conexão com a Europa por ferrovia
O Porto de Al-Faw não é um projeto isolado. Ele será o ponto de partida da chamada “Rota do Desenvolvimento”, uma ligação ferroviária e rodoviária de 2.000 km que cruzará o Iraque até a fronteira com a Turquia. A ideia é transformar o país em um corredor seco para mercadorias que vêm da Ásia e seguem para a Europa.
Estima-se que o transporte por esse novo trajeto possa economizar até 11 dias em comparação com o tradicional Canal de Suez. Isso coloca o Iraque em posição de oferecer uma rota mais rápida, segura e estável, o que se torna ainda mais atrativo em tempos de instabilidade no Mar Vermelho.
Tecnologia e cidades inteligentes no entorno
A estrutura portuária será moderna e automatizada, com sistemas semelhantes aos usados nos portos de Rotterdam e Singapura. O objetivo é alcançar um nível de eficiência de ponta desde o início, sem depender de adaptações no futuro.
Ao redor do porto, o governo planeja construir refinarias, usinas siderúrgicas e até cidades inteligentes, o que vai impulsionar a geração de empregos e a diversificação da economia ainda hoje muito dependente do petróleo.
Desafios de engenharia, política e clima
Apesar do avanço nas obras, o projeto enfrenta desafios complexos. A geografia da região, com águas rasas e alto nível de sedimentação, exige soluções técnicas avançadas. A instabilidade política do país levanta preocupações sobre a continuidade e segurança da operação no longo prazo.
Mesmo assim, a conclusão da primeira fase está prevista para o fim de 2025, e os sinais são positivos. O projeto tem apoio governamental direto e já atraiu interesse de parceiros internacionais.

Seja o primeiro a reagir!