Em busca de soluções mais sustentáveis para a construção civil, pesquisadores alemães criaram um material biogênico inovador feito a partir de cianobactérias. O composto promete substituir o cimento convencional, um dos maiores emissores de CO₂ no mundo, e pode representar um grande avanço na construção ecológica do futuro.
A produção de cimento é uma das principais fontes de emissão de CO₂ no mundo, contribuindo com aproximadamente 8% das emissões globais. No Brasil, embora o setor do cimento seja responsável por cerca de 2,3% das emissões nacionais, um terço da média mundial, o impacto ambiental ainda é significativo. Ou seja, os materiais de construção precisam receberem novas tecnologias.
Agora, uma pesquisa desenvolvida no país pode mudar isso de forma radical — e tudo começa com bactérias.
O desafio do cimento tradicional
A construção civil depende do concreto, que tem no cimento seu principal ingrediente. O problema é que, para produzi-lo, é preciso liberar muito dióxido de carbono, agravando o efeito estufa.
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Cientistas já buscavam formas alternativas de construção, mas agora uma proposta promissora veio à tona: materiais biogênicos produzidos com cianobactérias.
O que são esses microrganismos?
As cianobactérias são microrganismos fotossintéticos, ou seja, conseguem transformar luz solar em energia, como as plantas.
Elas também são chamadas de algas verde-azuladas, embora sejam bactérias.
Existem há bilhões de anos e têm uma incrível capacidade: conseguem formar estruturas de calcário quando expostas a luz, umidade e temperatura.
Essa habilidade natural está no centro de um novo projeto chamado BioCarboBeton, criado pelos Institutos Fraunhofer de Tecnologias e Sistemas Cerâmicos (IKTS) e de Tecnologia de Feixe de Elétrons e Plasma (FEP), ambos na Alemanha.

“Pedra porosa” sólida mineralizada.
Como funciona a nova técnica
O processo começa com o cultivo dessas cianobactérias em uma solução rica em nutrientes.
Depois, adiciona-se uma fonte de cálcio, como o cloreto de cálcio, e CO2 atmosférico.
A ideia é estimular a formação de estruturas sólidas que lembram os estromatólitos — formações de calcário naturais que existem há bilhões de anos.
Em paralelo, uma mistura de hidrogéis e enchimentos, como diferentes tipos de areia, é preparada. Tudo é combinado e colocado em moldes translúcidos. A luz continua alimentando o processo biológico, até o material endurecer.
Também é possível aplicar essa cultura bacteriana em superfícies porosas, o que amplia o leque de usos. O resultado pode virar tijolo, argamassa, material de isolamento, preenchimento de formas, entre outros.

Equipes e testes dos novos materiais de construção
O projeto conta com duas frentes principais. O Dr. Matthias Ahlhelm, do IKTS, lidera o desenvolvimento dos materiais e a seleção dos elementos que formam o novo “cimento biológico”.
Já a Dra. Ulla König, da FEP, cuida do cultivo das bactérias, análise microbiológica e da ampliação da produção.
Ambas as equipes estão agora focadas em entender melhor as propriedades desses materiais. Um dos objetivos é garantir que eles sejam suficientemente fortes e duráveis para o uso em construções reais.
De laboratório para o canteiro de obras
Depois de testar com sucesso a tecnologia em pequena escala, os cientistas agora buscam ampliar a produção.
Estão experimentando novos tipos de cálcio, como resíduos de mineração e basalto, e usando biogás como parte do processo. O foco é criar um modelo circular de produção, que seja eficiente e sustentável.
O projeto ainda está em fase de testes, mas os resultados até agora são animadores.
Segundo os pesquisadores, essa abordagem tem potencial para mudar não só o setor da construção, mas outras áreas que dependem de materiais resistentes e sustentáveis.
Uma última informação importante: o novo material não só evita emissões de CO2, como também pode capturar o gás da atmosfera durante sua formação — um passo importante para reduzir o impacto ambiental da construção civil.
Mais informações em Fraunhofer.

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