A Petrobras homologou contratos para quatro navios da classe Handy, que serão construídos no Estaleiro Rio Grande. O investimento de US$ 278 milhões deve criar 1,5 mil empregos diretos e fortalecer a logística de combustíveis no país.
A Petrobras homologou, nesta terça-feira (19) os contratos para construir quatro navios da classe Handy no Estaleiro Rio Grande, no sul do país.
Conforme publicou o CPG mais cedo, o pacote, orçado em US$ 278 milhões — US$ 69,5 milhões por embarcação —, integra o programa de renovação e ampliação da frota dedicada à cabotagem e prevê a criação de 1,5 mil empregos diretos até o início de 2026.
O acordo reúne a Ecovix, operadora do estaleiro, a Transpetro, subsidiária de transporte e logística da Petrobras, e o Estaleiro Mac Laren, no Rio de Janeiro.
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Classe Handy e sua importância para a cabotagem
Projetados para transportar derivados de petróleo, os navios da classe Handy atendem rotas entre portos brasileiros com calados e berços de menor porte.
Em razão do tamanho e da versatilidade, essas embarcações conseguem distribuir produtos como diesel marítimo, diesel S10, diesel S500 e gasolina de aviação (GAV) de forma contínua, conectando refinarias, terminais e pontos de consumo.
Esse desenho operacional reduz transbordos, aumenta a frequência de viagens e dá flexibilidade à malha logística, pontos considerados estratégicos para o abastecimento nacional.
Além disso, a classe Handy contribui para a regularidade das operações em janelas de maré e restrições locais.
Na prática, a Petrobras e sua subsidiária de logística ampliam a capacidade de responder a picos de demanda regionais sem depender de grandes comboios ou afretamentos pontuais.

Retomada do Polo Naval de Rio Grande
A homologação marca a retomada do Polo Naval de Rio Grande após anos de baixa atividade.
Segundo a Prefeitura, a decisão consolida o uso da infraestrutura instalada no complexo e reativa uma cadeia que envolve fornecedores de aço, serviços de soldagem, equipamentos e engenharia naval.
A prefeita Darlene Pereira classificou o anúncio como um passo concreto para a reocupação do parque industrial:
“— Acabamos de receber essa excelente notícia, que é mais um passo para a efetivação do Polo Naval aqui no município. A partir da assinatura da eficácia dos contratos, será feita a liberação dos recursos necessários para as contratações e para o início da construção dos navios”, afirmou.
O movimento tem reflexos também fora do estaleiro. Com a mobilização de canteiros, cresce a demanda por alojamento, alimentação, transporte e serviços especializados.
Esse entorno deve gerar empregos indiretos e impulsionar a arrecadação municipal, embora os números detalhados não tenham sido informados.
Empregos e cronograma de construção
Atualmente, o Estaleiro Rio Grande opera com cerca de 200 trabalhadores. Com o novo programa, a Ecovix projeta ampliar o quadro em aproximadamente 500%, alcançando 1,5 mil postos de trabalho diretos até o começo de 2026.
As primeiras contratações estão previstas para dezembro de 2025, com a montagem de equipes de produção, qualidade, segurança e planejamento.
A companhia informou que a construção deverá começar no segundo semestre de 2025, após a adequação do parque fabril e a liberação dos recursos.
Entre as frentes preparatórias, estão a reativação de linhas de corte e conformação de chapas, a revisão de pontes rolantes e a atualização de sistemas de documentação técnica.
A requalificação da mão de obra local deve incluir treinamentos em processos de solda, pintura, isolamento e montagem de blocos.

Papéis da Ecovix, Transpetro e Mac Laren
O arranjo institucional distribui responsabilidades.
A Transpetro conduz as especificações e o acompanhamento técnico das embarcações, alinhadas às necessidades operacionais de cabotagem da Petrobras.
A Ecovix responde pela execução no Estaleiro Rio Grande, coordenando suprimentos, cronogramas e testes de mar.
Já o Estaleiro Mac Laren, no Rio de Janeiro, participa como parceiro industrial, com atuação prevista em módulos e sistemas, conforme o planejamento executivo.
Essa divisão busca reduzir gargalos de produção e garantir padronização entre os navios, fator relevante para manutenção, treinamento de tripulações e reposição de peças.
Padronizar projetos também facilita a certificação e o atendimento às normas de segurança e ambientais vigentes para transporte de derivados.
Logística de combustíveis no Brasil
Com a entrada dos quatro Handy, a Petrobras reforça a frota dedicada à circulação doméstica de combustíveis.
Em um cenário de demanda espalhada por uma costa extensa, embarcações desse porte conseguem operar com maior frequência entre polos de produção e pontos de distribuição.
Isso mitiga riscos de desabastecimento local e reduz a dependência de contratos de afretamento internacionais.
A Transpetro aponta que os navios serão estratégicos para a cabotagem, sobretudo em rotas que interligam refinarias e bases com infraestrutura mais restrita.
O efeito esperado é um ganho de eficiência no escoamento de diesel e gasolina de aviação.
Impacto regional e cadeia de fornecedores
Enquanto o canteiro é preparado, fornecedores de aços, válvulas, bombas, sistemas de navegação e serviços de inspeção iniciam o planejamento de entrega.
A recomposição dessa cadeia tende a distribuir encomendas por diferentes estados, embora a concentração de serviços pesados permaneça em Rio Grande.
Para o município, a projeção é de aumento de ISS e circulação econômica ao longo do cronograma de construção.
No campo da qualificação, sindicatos e entidades de formação profissional deverão ser acionados para cursos específicos.
A meta é recompor quadros com experiência em montagem de blocos, caldeiraria, tubulação e integração de sistemas, áreas críticas para cumprir prazos e padrões de qualidade.
Etapas da produção e entrega dos navios
O ciclo de produção inclui corte e conformação de chapas, montagem de blocos, união de seções, lançamento ao dique, integração de sistemas e provas de mar.
Em paralelo, avançam certificações, inspeções e comissionamentos.
As datas de entrega de cada navio não foram divulgadas, mas a sinalização de início de obras ainda neste semestre sugere um escalonamento de lançamentos para equilibrar produção e entrada em operação.
A operação comercial, após a entrega, dependerá da emissão de certificados de classe e da conclusão de treinamentos de tripulações.
A padronização entre as quatro unidades deverá encurtar curvas de aprendizado e facilitar a rotação dos navios entre rotas, conforme a demanda.
Perspectivas para 2026
Com a consolidação dos 1,5 mil empregos diretos até o início de 2026, a expectativa é estabilizar o ritmo de produção no estaleiro.
A continuidade de novos projetos será determinante para manter a atividade e evitar desmobilização. O desempenho desse pacote poderá influenciar futuras encomendas e a atração de outras demandas navais.
Como você acha que a entrada desses navios vai impactar o transporte de combustíveis entre os portos brasileiros?

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