Enquanto a cidade se prepara para o evento global, especialistas questionam o boom imobiliário que ignora a identidade amazônica, preferindo imitar “Dubai de baixo orçamento”.
Belém (PA) está no centro das atenções globais como sede da COP30 Belém. A cidade se prepara para receber um volume bilionário de investimentos, impulsionando uma transformação urbana visível. No entanto, enquanto a gastronomia e a música paraense ganham o mundo, um debate crucial emerge: a qualidade e a identidade da arquitetura que está sendo construída.
A crítica central, apontada pelo jornalista Raul Juste Lores, do canal “Sao Paulo nas alturas”, é que o atual boom imobiliário parece ignorar as raízes amazônicas. Em vez de soluções modernas ou contemporâneas que dialoguem com o clima e a cultura local, o que se vê é uma proliferação de edifícios genéricos, apelidados de “Dubai e Miami de baixo orçamento”, levantando questões sobre o legado que o evento deixará para a paisagem urbana da capital paraense.
O paradoxo cultural de Belém
Belém vive um momento de imensa autoestima, como destaca o “Canal Sao Paulo nas alturas”. A cultura local é celebrada mundialmente, da música de Dona Onete, Joelma e Gabi Amarantos à gastronomia única que encanta paladares com açaí, cupuaçu e pirarucu. Essa valorização, contudo, não parece se estender à arquitetura.
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The urgent need to implement a severe cut in public spending and a massive increase in taxes, in addition to drastically compromising the quality of basic services and the purchasing power of the population, could result in social unrest in the country, with the population leading protests, strikes, and frequent disturbances.
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FIRJAN’s mega plan of R$ 526.3 billion for Rio de Janeiro aims to revive Brazil’s largest industry, with two-thirds of the investments going to oil and gas.
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China signals an increase in beef imports, Brazil has already consumed 70% of the 1.106 million ton quota and seeks to renegotiate the tariff that jumps from 12% to 55%, while demand from the US also skyrockets.
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Food inflation rose 302% in 20 years in Brazil, but the supermarket changed: purchasing power yielded 87% more mortadella and 31% less fruit, and ultra-processed foods took over the cart.
Com os bilhões de investimentos destinados à preparação da COP30 Belém, a expectativa era que a cidade aproveitasse a oportunidade para inovar em suas construções. O que se observa, segundo a análise de Lores, é um movimento contrário: prédios surgindo por toda parte “sem parecer arquitetura amazônica, nem moderna, nem contemporânea”.
O legado de sucesso que parece esquecido
A própria história recente de Belém prova que a arquitetura pode transformar a qualidade de vida. Um exemplo emblemático citado por Raul Juste Lores é a Estação Docas. Inaugurada nos anos 2000, foi uma iniciativa pioneira no Brasil de revitalização portuária, inspirada em Puerto Madero (Argentina), que reconectou a cidade ao rio e se tornou um sucesso absoluto de público e crítica.
Mais recentemente, as Usinas da Paz demonstram a força da arquitetura com foco social. Inspiradas no modelo de Medellín (Colômbia), esses complexos oferecem infraestrutura de qualidade (piscinas, cursos, esportes) em áreas vulneráveis, usando materiais como a madeira e priorizando a ventilação natural, essencial para o calor belenense. Outros exemplos de sucesso incluem o Polo Joalheiro (um antigo convento e presídio) e o restauro da Igreja de Santo Alexandre, hoje Museu de Arte Sacra.
O “Dubai de baixo orçamento” e a pobreza estética
O problema, segundo a análise do “Canal Sao Paulo nas alturas”, está na nova safra de empreendimentos privados. A elite econômica e política, que no passado (como no Ciclo da Borracha) investia em edifícios sofisticados como o Palacete Bolonha, hoje parece obcecada por referências estrangeiras genéricas. “Saíram as referências a Paris, a Lisboa ou mesmo a simbologia amazônica (…) e tá entrando Dubai e Miami de baixo orçamento”, aponta Lores.
A crítica se estende até mesmo a empreendimentos de altíssimo padrão. O jornalista menciona que “até prédios com apartamentos de R$ 10 milhões de reais são de chorar pela pobreza estética”. Estes novos “godzillas”, como são chamados, pouco se adaptam ao clima local. Lores relembra o caso folclórico de um prédio de luxo, com uma piscina por andar, onde o cálculo de engenharia falhou: as piscinas não puderam ser cheias de água, pois o prédio “envergaria”.
O risco de ignorar o paisagismo amazônico
Outro ponto crítico na preparação para a COP30 Belém é o paisagismo. Belém possui praças históricas, como a Praça Batista Campos, que são exemplos de integração com a natureza amazônica, repletas de árvores gigantescas que oferecem sombra, presença de água e vida selvagem, sem a necessidade de grades. São locais seguros justamente por serem muito frequentados.
No entanto, o “Canal Sao Paulo nas alturas” alerta que muitas obras recentes, mesmo com alto investimento, insistem na “adoração às palmeiras”. Estas árvores, consideradas “estrangeiras”, são ornamentais e não produzem a sombra vital para o clima da região. O Mangal das Garças, um projeto de sucesso do mesmo arquiteto da Estação Docas, Paulo Chaves, prova que é possível aliar paisagismo amazônico e urbanismo, mas a lição parece não estar sendo aplicada no atual boom construtivo.
A COP30 Belém representa uma oportunidade histórica para a capital paraense, injetando recursos e atraindo atenção global. Contudo, o legado arquitetônico que está sendo construído corre o risco de ser uma coleção de edifícios genéricos e desconectados da identidade amazônica, um contraste gritante com a riqueza cultural e os próprios exemplos de sucesso da cidade.
Mas e você, que vive em Belém ou acompanha essa transformação: qual a sua opinião sobre os novos prédios que estão subindo? Você acha que esse boom imobiliário respeita a história da cidade ou apenas imita tendências de fora? Deixe sua opinião nos comentários, queremos ouvir quem vive isso na prática.


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